O jornalista e historiador Paulo James (imagem) relatou à Maritaca, nesta semana, uma das histórias mais sombrias ocorridas em Paraguaçu Paulista, no início da década de 1950. No bairro rural de São Matheus, uma família de retirantes nordestinos chegou em busca de esperança, fugindo da seca e sonhando com dias melhores na terra do algodão. Sem poço na casa simples que os recebeu, o patriarca iniciou sozinho a escavação, na tentativa de garantir água para a sobrevivência da família.
Foi então que a tragédia tomou forma. Ao levar o almoço do pai, uma das crianças desapareceu. Estranhando a demora, a mãe enviou outro filho à procura, mas ele também não retornou. O desespero cresceu com a chegada da noite, quando a mulher buscou socorro de vizinhos. Nas buscas, encontraram o embornal intacto próximo ao poço, que exalava um cheiro pesado e sufocante. O silêncio do local escondia um segredo fatal.

Ao abrirem o poço, o horror foi revelado: o pai e os dois filhos estavam mortos, vítimas do gás metano liberado no interior da escavação. A tragédia, noticiada inclusive por jornais da capital paulista, deixou no ar um enigma sem resposta: como os três foram parar dentro do poço? Talvez um tenha tentado salvar o outro, talvez tenham sido todos vencidos pela armadilha invisível. Desde então, o lugar ficou marcado na memória popular como “o poço fatal”, um símbolo de dor e mistério que atravessa gerações.
Imagem: Simone Albieri
