Casos recentes de intoxicação por metanol em São Paulo ocorreram após o consumo de bebidas destiladas, como gim, vodca e uísque. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, embora os destilados sejam os alvos mais frequentes, o metanol — usado como biocombustível — pode também servir para adulterar cerveja e vinho em busca de lucro. “Para o adulterador não há limites, desde que haja lucro”, afirma Rodrigo Ramos Catharino, farmacêutico, doutor em Ciência de Alimentos e professor da Unicamp. Segundo ele, os preços e o maior teor alcoólico tornam os destilados mais fáceis e atraentes para adulteração. Autoridades alertam para o risco grave à saúde pública e recomendam compra de bebidas em pontos confiáveis.

Glauce Guimarães Pereira, química e integrante da comissão técnica do Conselho Regional de Química de São Paulo, explica que o metanol tem sabor levemente adocicado e perfil sensorial próximo ao etanol, o que dificulta a identificação em destilados com 30%–40% de teor alcoólico. Já em bebidas fermentadas, como cerveja e vinho, a menor graduação e a maior complexidade aromática tornam desvios químicos mais perceptíveis. Para Glauce, adulterar cerveja sem chamar atenção seria pouco eficiente e pouco rentável. Especialistas pedem atenção redobrada e investigação rigorosa para coibir a prática. Com informações do Estadão.
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